Cisterna


O cronista Gaspar Frutuoso refere que em 1552 engenheiro militar Isidoro de Almeida, veio a S. Miguel tratar de assuntos relacionados com a construção do forte de S. Brás . (1)
Em 1567 o engenheiro italiano Tommaso Benedetto permanece cerca de um mês no arquipélago, visitando as ilhas de S. Miguel, Terceira, Faial e S. Jorge para estudar os lugares e os portos que importaria fortificar . (2)
Em 1569, com uma carta régia, é enviada a planta de S. Brás da autoria de Tommaso Benedetto .(3)
Em 1580 o forte de S. Brás é considerado em condições de servir . (4)
Em 1582 instala-se no forte uma guarnição espanhola, com cerca de 200 efectivos, dentro do princípio da defesa partilhada de dois reinos independentes e uma coroa comum. O seu comandante, Lourenzo Noguera, nota a falta de infra-estruturas essenciais, como o aquartelamento e a cisterna.
A construção da cisterna inicia-se em 1582 no centro da praça de armas, com 10m de comprimento, 5m de largura e 5m de altura máxima da abóbada, o que lhe confere uma capacidade de armazenamento de cerca de 200.000 litros de água..
Em 1582, D. Álvaro de Bazan, Marquês de S. Cruz e Almirante-Mor de Espanha, após a batalha naval de Vila Franca do Campo de 26 de Junho, recomenda que (…) aun que hecha no esta enluzida ni embetumada, ade tener cuydado el dicho capitan de solicitar el dicho conde la haga acauar luego para que el mês de Enero que viene se hincha de agua (…) .
Em 1583 Agustim Iniguez informa Filipe I (segundo de Espanha) de que a construção da cisterna ainda não está pronta (…) sino fuera por ser la piedra que della se há sacado tan fuerte e mucha (…) .
Cerca de 1590, Gaspar Frutuoso refere que Ponta Delgada tinha (…) uma inexpugnável fortaleza, provida de mui grossa e furiosa artilharia, e de muitas munições de guerra, e dentro (afora um poço para serviço da gente) uma cisterna que leva mil e duzentas pipas, e ordinariamente tem oitocentas de água boa e sã, por ser mui batida do ordinário que com um caldeirão que cada dia tiram dela .
Em 1812 no âmbito das obras de modernização do forte de S. Brás conduzidas pelo capitão do Real Corpo de Engenheiros Francisco Borges da Silva, são melhoradas as condutas das águas pluviais para a cisterna, sendo construídos “cisternais” com areia para purificação da água.

(1) – Gaspar Frutuoso, Saudades da Terra, Livro IV.
(2) – Alvará de 8 de Março de 1567 do Regente Cardeal D. Henrique, Livro Velho do Tombo da CMPD, fl.262v, BPARPD.
(3) – Livro Velho do Tombo da Imposição, fl. 342v, BPARPD.
(4) – Alvará de 8 de Abril de 1580, Livro Velho do Tombo da CMPD, fl. 210v, BPARPD.