Bendito Seja O Fruto do Teu Ventre


Autor: Ernesto Canto da Maia (1890-1981)

Data: C. 1920/22

Material: Terracota pintada

Dimensões: A 97 x L 59 x F 29 cm

N.º de inventário: MCM5259

Em exposição: Museu Carlos Machado

Observações:  Ernesto Canto da Maya (1890 – 1981) iniciou o Curso de Escultura na Escola de Belas Artes de Lisboa, em 1907, frequentando a Faculdade de Arquitetura, em 1911. A partir de 1913 esteve na Escola de Belas Artes, em Paris e na Academia Grand Chaumière, trabalhando com o escultor simbolista James Vibert, na Suiça, em 1914, e com o escultor Júlio António, em Madrid, em 1916. Na Ilha de São Miguel, em período conturbado pela 1ª Guerra Mundial, em 1917, executou os baixos-relevos para a moldura do palco do Coliseu Micaelense, em Ponta Delgada, com uma obra dedicada ao Teatro e à Música, e o friso decorativo para uma sala do Palácio do Marquês Jácome Corrêa, dedicado à deusa “Diana”. Neste artista desenvolveu-se uma estética intimista, onde a simplicidade das silhuetas e a sobriedade expressiva dos modelados era precursora do movimento “Art Deco”. A suavidade formal da Escultura de Canto da Maya, acentuava a interioridade do estilo assumido, surgindo uma série de magníficas esculturas de grande individualidade e beleza. Em 1919, Canto da Maya passou a residir em Boulogne-Sur-Seine, num período de vivência francesa, até 1938.

Esta permanência em França corresponde a uma fase de esplendor, durante o qual expôs tanto em Portugal como no estrangeiro. Em 1922, apresenta no Grand Palais, em Paris, no 15.º Salão de Outono, o grupo intitulado “Beni soit le fruit de tes entrailles”.

Este trabalho foi referido por alguns críticos, nomeadamente de Robert Rey, que escreveu no Jornal LE CRAPOUILLOT: “…Un homme à genoux ceinture de ses bras la taille d’une femme debout contre lui. Sa figure est grave, on y lit tout un monde de tendresse..”, cuja tradução revela a exaltação de forte atração e sentimento. Com o mesmo tema foram realizadas outras versões desta obra, tal como a que aqui se apresenta, pertencente ao Museu de Ponta Delgada. Na base tem registado: “Bendito seja o Fruto do Teu Ventre”, valorizando-se, com uma modelação simples de perfis sublimes, a ideia de união, em estado de pureza. A ligação do percurso individual de Canto da Maya com a sua obra integra esta escultura numa fase iniciática de forte exaltação da Vida. [Margarida Teves de Oliveira].